Atacar primeiro

Nas artes marciais existe uma expressão muito conhecida: “o ataque é a melhor defesa”. Essa expressão não especifica se devemos tomar a iniciativa, porém ela aponta para o fato de que quando estamos atacando o outro deve se defender e, portanto, não terá como nos atacar. Deste modo, se atacarmos primeiro e mantivermos uma postura de ataque estaremos menos vulneráveis aos ataques do outro.

Para as pessoas que se afinizam com a ideia de pacifismo e do guerreiro pacífico, essa atitude pode parecer um pouco estranha ou incoerente, visto que elas estão treinando sistematicamente para serem menos agressivas e mais generosas. No entanto, isso é algo que precisa ser aprofundado.

Não precisamos ver o ataque de uma maneira literal, pois, antes de tudo o ataque é ação, iniciativa. É lógico que essa ideia não serve em todas as situações da luta e do combate, mas em muitos casos ela serve.

Quantas oportunidades já não perdemos por hesitar? Em quantos combates nos desequilibramos por não tomar as rédeas?

Se entramos em algo de corpo e alma, devemos estar dispostos a dançar, a agir, pois se amamos o que fazemos devemos no mínimo, fazer. Esse é o ensinamento por detrás da ideia de atacar primeiro.

De um ponto de vista mais além, existe o ataque ativo – movimento do corpo – e o ataque passivo – atenção, percepção. Quando olhamos diretamente para a intenção, para a energia do outro com quem praticamos, estamos sendo ativos, por mais que não tenhamos ainda mexido nosso corpo.

Por fim, é preciso cuidar com a confusão entre ação, força e violência, cólera. Agir não necessita de violência, mas sim de compaixão, pois quando o faço busco um resultado que gere menos sofrimento e mais felicidade para os envolvidos e todos os seres que serão afetados com os frutos dessa ação.

Pedro Marcelino

Pedro Marcelino

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Meditação - Iniciou a prática de meditação na adolescência (com seus 14 anos) e a vêm mantendo até os dias de hoje. Praticou com diversos professores, de diversas linhas, se desenvolvendo na meditação budista, com ênfase na tradição Zen. A partir dos seus anos de estudos, pesquisas e experiências, desenvolveu o método das 7 habilidades meditativas, que une a visão oriental e ocidental sobre o autodesenvolvimento. Arte - Na arte, foi ilustrador e animador de diversos projetos da Confor Studio. Trabalhou como animador nos filmes, “Até que a Sbórnia nos separe” e “Cidade dos Piratas”, ambos do estúdio porto alegrense Otto Desenhos Animados. Foi co-autor do Livro-Quadrinhos “Cons – Compreendendo Nossa Evolução” (que está caminhando para a publicação no terceiro idioma – alemão – além do português e inglês). Vivenciando o processo criativo destas e de outras obras, desenvolveu seu método de uso da arte de maneira criativa e ética: a Arte Evolutiva. Artes marciais - Como artista marcial, já praticou: judô, capoeira, jiu jitsu e tai chi chuan. No jiu jitsu (arte marcial que pratica até hoje), foi campeão brasileiro em 2005 e campeão sul brasileiro em 2006. Desde 2012, começou a pesquisar e experimentar o uso das artes marciais no desenvolvimento humano, espiritual, trabalho este que vem chamando de Budoterapia – baseado no caminho do guerreiro pacífico.

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