A self-defense system

two red boxing gloves on grey surface

A nossa vida toda deve ser uma busca pelo equilíbrio, pela paz, pela benevolência, porém uma vez que o conflito chegar, seja ele interno ou externo, devemos ter capacidade de lidar com ele. Isso é defesa pessoal: a arte de lidar com conflitos.

Introdução

No mundo atual, onde muitas pessoas estão mentalmente e emocionalmente desequilibradas o conflito é algo eminente. Muitas pessoas perdem a vida ou sofrem violências terríveis, todos os dias no mundo todo. Entendemos que isso está além do nosso controle, porém existe algo que podemos fazer?

Aprendizado

Aprender algum método de defesa pessoal pode ser a diferença nesse assunto, visto que na maioria das vezes os conflitos são evitáveis e maneiras de evitar o pior de um conflito são possibilidades existentes. Assim, treinar defesa pessoal no mundo atual é preservar a própria integridade e a integridade dos outros, uma vez que se pararmos o ataque do outro impediremos ele de cometer algo que lhe trará muito sofrimento.

Histórico

A partir do meu estudo de diversas artes marciais, entre elas o judô, a capoeira, o boxe chinês e o jiu jitsu brasileiro desenvolvi algumas técnicas que considero efetivas para com as principais situações de defesa pessoal.

Classifiquei estas situações em 2 grupos: 1) defesas fundamentais; 2) defesas secundárias. Defesas fundamentais são aquelas que acontecem em quase todo tipo de conflito, pois são muito simples de ocorrer. Já as defesas secundárias são mais específicas e nem sempre acontecem em uma situação de defesa pessoal.

Abaixo, veremos esses 2 grupos mais detalhadamente.

Tipos de defesa fundamentais

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  • Strikes

Strikes são as pancadas, atemi waza (当て身技), socos, chutes, cotoveladas, joelhadas, cabeçadas. Temos que saber nos defender destes tipos de ataques e, quando for necessário produzí-los. Assim, neste e nos próximos tipo temos que saber tanto defender quanto atacar.

  • Desequilibrantes

Os desequilibrantes são ataques que levam ao desequilíbrio, por exemplo, puxões, empurrões, rasteiras, agarramento de pernas (double leg) etc, são todos exemplos disso. Esse tipo exige o treinamento do ukemi, a arte de saber cair, tão valorizada no judô e no aikidô.

  • Agarramentos

Os agarramentos são ataques que visam tanto imobilizar quanto estrangular o adversário. Entre os principais estão as gravatas (frente, lado e costas) o abraço de urso (por cima e por baixo dos braços), os estrangulamentos ou sufocamentos com o uso das mãos e a seguradas que pode ser do braço, cabelo etc. Essa é uma das principais categorias, visto que é a mais amplamente utilizadas por agressores mais fortes fisicamente.

  • Chão

O chão está relacionado aos ataques e defesas feitos no solo, depois que alguém é derrubado ou a partir daquele que se encontra no chão. Esta área particular da luta é amplamente enfatizada no jiu jitsu brasileiro e na luta livre brasileira. Entre os ataques mais básicos estão a defesa da montada, defesa de strikes desferidos por um atacante que está de pé, a utilização da guarda de jiu jitsu e a levantada técnica também do jiu jitsu.

Deste modo, com esses 4 primeiros tipos temos os conhecimentos básicos para lidarmos com a maioria das situações de defesa pessoal, porém abaixo restam 3 tipos secundários, mais avançados e que exigem mais treinamento, malícia e timing para funcionar na prática.

Tipos de defesa secundárias

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  • Golpes baixos

Os golpes baixos são ataques muito agressivos, violentos que podem causar sérios danos com pouco esforço. Como na defesa pessoal estamos lidando com agressores e não praticantes de luta, devemos estar tanto prontos para prevenir este tipo de ataque quanto para usá-lo. Golpes nos órgãos genitais, olhos, nariz, dedos, coluna cervical, golpes quando o adversário está de costas para o atacante (conhecido como golpes traiçoeiros) e mordidas estão entre os principais desta categoria.

  • Atacantes múltiplos

Os atacantes múltiplos, como o nome já diz, são diversas pessoas ou animais que possuem intenções agressivas visíveis e que precisam ser contidas. As chances de alguém sozinho, sem armas, se defender de múltiplos atacantes é remota, porém, mesmo assim, é preciso conhecer fundamentos básicos como alinhamento, circularidade e foco para lidar melhor com essa situação e evitar que o pior aconteça.

  • Armas

As armas são qualquer objeto, que não o corpo, utilizado para causar dano e podem ser divididas entre armas brancas (faca, facão, espada, porrete, bastão, corrente, pedra etc) e armas de fogo (revólver, pistola, fuzil etc). Para se defender nesta categoria é preciso de muita prática, pois um erro será fatal. No meu método não ensino ataques a partir de armas de fogo, visto o treinamento necessários e riscos que esta técnica oferece. O meu foco é nas defesas básicas contra esse armamento.

Treinamento de artes marciais

Se alguém estudar estes tipos de defesa sem ter se dedicado as artes marciais pode ter grandes dificuldades em colocar estes conhecimento em prática e, além disso, pode piorar a situação de conflito. Um agressor quando atacado necessita ser parado, caso isso não ocorrar algo pior torna a acontecer, a provocação. Assim, na dúvida se você tem ou não condições de se defender, não o faça. Faça somente que tiver certeza, que já tiver boa prática das técnicas de defesa pessoal e de algum tipo de arte marcial.

A defesa pessoal também exige o desenvolvimento de certas competências físicas e mentais.

Habilidades complementares

As habilidades complementares físicas são aquelas que trarão ao praticante o upper body (corpo superior) que, a grosso modo, é um corpo atlético, forte, flexível, ágil, resistente. Já as habilidades mentais mais importantes são: 1) capacidade de se antecipar ao ataque ou evitar o mesmo. 2) a capacidade de perceber o momento certo da defesa – timing; e 3) a capacidade de ter um ataque que seja eficiente e leve ao mínimo de dano necessário (benevolência). Não queremos praticar a defesa pessoal para machucar ninguém, por isso, ter em mente este conceito é necessário.

O treino enquanto treino da mente

Muitas pessoas vivem em locais privilegiados neste planeta onde a violência urbana não é um problema. Estas pessoas frequentemente relatam que devido a este fato nunca se interessaram pela defesa pessoal. A minha percepção disso é que elas podem ver o treino do corpo enquanto um treinamento da mente para lidar com a agressividade e com os conflitos emocionais e verbais do dia a dia.

A prática da defesa pessoal traz autocontrole, coragem, capacidade de lidar com o medo, capacidade de tomar decisões sobre pressão, todas competências que podem ser levadas para o dia a dia.

Por fim, o aprendizado efetivo e realista de um sistema pessoal é o currículo básico de um guerreiro pacífico, pois por mais que queiramos atingir e viver sempre na paz, precisaremos saber o que fazer quando surge o conflito. O insight da defesa pessoal para esse problema é: para praticar a paz você precisa estar vivo e saudável. Deste modo, é importante saber preservar a própria vida.

Pedro Marcelino

16.12.18

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Pedro Marcelino

http://escrevendocomimagens.blogspot.com/

Meditação - Iniciou a prática de meditação na adolescência (com seus 14 anos) e a vêm mantendo até os dias de hoje. Praticou com diversos professores, de diversas linhas, se desenvolvendo na meditação budista, com ênfase na tradição Zen. A partir dos seus anos de estudos, pesquisas e experiências, desenvolveu o método das 7 habilidades meditativas, que une a visão oriental e ocidental sobre o autodesenvolvimento.Arte - Na arte, foi ilustrador e animador de diversos projetos da Confor Studio. Trabalhou como animador nos filmes, “Até que a Sbórnia nos separe” e “Cidade dos Piratas”, ambos do estúdio porto alegrense Otto Desenhos Animados. Foi co-autor do Livro-Quadrinhos “Cons – Compreendendo Nossa Evolução” (que está caminhando para a publicação no terceiro idioma – alemão – além do português e inglês). Vivenciando o processo criativo destas e de outras obras, desenvolveu seu método de uso da arte de maneira criativa e ética: a Arte Evolutiva.Artes marciais - Como artista marcial, já praticou: judô, capoeira, jiu jitsu e tai chi chuan. No jiu jitsu (arte marcial que pratica até hoje), foi campeão brasileiro em 2005 e campeão sul brasileiro em 2006. Desde 2012, começou a pesquisar e experimentar o uso das artes marciais no desenvolvimento humano, espiritual, trabalho este que vem chamando de Budoterapia – baseado no caminho do guerreiro pacífico.

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